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Teatro no Ponto - como é bom dialogar...
Lígia Marina - atriz, pesquisadora teatral e arte-educadora
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Desvendando o protocolo
Conheci o termo protocolo por conta de um projeto incrível em São Paulo chamado Teatro Vocacional. É um projeto municipal começado quando o PT esteve por lá que integra mais de cem grupos de teatro da cidade entre iniciantes e já formados. O protocolo seria uma espécie de diário de trabalho construído coletivamente. Me apaixonei de cara pelo método e comecei a investigá-lo nas turmas em que ministrava aulas de teatro.
O protocolo vem da prática de trabalho do encenador alemão Bertolt Brecht e era chamado “Protokoll”. Conhecemos estes protocolos aqui no Brasil sob o nome de “Diários de Trabalho”, escritos pelo próprio Brecht ao longo de sua prática teatral. O termo chegou aqui no Brasil através da pesquisadora Ingrid Dormien Koudela e em seu livro chamado “Brecht na pós-modernidade”1 ela nos indica algumas pistas de um possível tratamento para a prática do protocolo.
Segundo Ingrid Dormien Koudela:
“Enquanto instrumento de avaliação, o protocolo tem sem dúvida a função de registro, assumindo não raramente o caráter de depoimento. Não reside aí , porém, a sua função mais nobre. (...) Ao almejar como função mais nobre dar conta do caráter estético do experimento com o modelo de ação (imagem e/ou texto), o protocolo promove a dialética como método de pensamento.”
Portanto mais do que um relato fiel da discussão, ou um ponto de vista sobre tal (não descartando a importância deste), o protocolo como “transposição simbólica da experiência” (sendo ela um ensaio prático ou teórico) assumiria, “no objeto estético, a qualidade de uma nova experiência”.
Assim, escolho o modo PROTOCOLO para relatar minha passagem e encontro com as turmas de teatro ligadas ao projeto “Teatro no Ponto” do Pontão de Cultura Guaicuru.
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Interrupção necessária: Sou Lígia Marina e tô no mundo!
“Trabalho, Obra e Ação, analisa, no percurso reflexivo arendtiano, porque cabe afirmar que estamos no mundo e não somos apenas do mundo. Isso exige criar, politicamente, uma confiança no mundo para ir além...”
(Theresa Calvet de Magalhães)2
Sempre quis visitar o mundo. Andar por ele, conhecê-lo, investigá-lo. Menos só pra ser andante mas a vontade é ser transformante, de mim e quiçá dessas coisas feias que tão por aí que o capitalismo fez nascer nos corações dos homens.
No início deste ano eu e meu companheiro Guilherme Furtado decidimos caminhar por parte desse mundão, saindo de SP e beirando o oeste a fim de chegar lá no Ceará. O trabalho com música e teatro seria a base, a desculpa para o encontro, diálogo, conhecimento e transformação.
Chegamos ao dia 18 de agosto em Campo Grande-MS e nos encontramos só com gente boa, da pesada mesmo. Sérios, intensos, magníficos administradores do dinheiro público, gente lá do Pontão de Cultura Guiacuru sob a coordenação da grandiosa Andréa Freire. Além da recepção coração-aberto, foi-nos oferecido espaço para o desenvolvimento da “Oficina de Teatro Peripatético: iniciação ao teatro e à filosofia materialista dialética” a ser ministrada por mim no projeto “Teatro no Ponto” nas cidades de Campo Grande, Bonito, Dourados e Nova Andradina.
Os discípulos de Aristóteles costumavam ter mais do que lições de filosofia: procuravam vivenciar o saber em um processo de discussão e aprendizagem em que o caminho se construía a partir dos passos. Por isso, eram chamados de peripatétikos; aqueles que ensinam/aprendem caminhando. A saber, Aristóteles costumava ministrar suas aulas enquanto caminhava com seus alunos pelas ruas de Atenas.
Assim, através de várias vertentes de jogos teatrais, convido os participantes a refletir de forma práxica sobre conceitos tanto da filosofia materialista dialética quanto teatrais, por uma educação político-estética.
Além disso, também nos foi dado espaço para apresentarmos o espetáculo poético-musical “Sabe o que que é?” do duo formado por mim e meu companheiro, intitulado Cia Navalha na Liga, Nada na Barriga, a partir da obra do compositor Itamar Assumpção e do casal de poetas Alice Ruiz e Paulo Leminski, além de apresentações de contação de história para crianças.
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Perguntas e pressupostos
Antes de iniciar as Oficinas de Teatro Peripatético no projeto “Teatro no Ponto” em que desenvolvo um método para iniciação ao teatro e à filosofia materialista dialética, resolvi elaborar perguntas ao modo socrático de conhecer:
Como o método se modifica a partir do diálogo entre ministrantes e participantes?
Como se dá a aplicabilidade do método em lugares tão distintos entre si?
O método “funciona” em espaços geográficos diferentes ao que foi elaborado?
Além dessas perguntas, alguns pressupostos, que nortearam até então meu trabalho, também estariam sendo testados. A saber:
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A busca pela Pedagogia do Oprimido ou “transformar o mundo transformado” (Brecht)
“Pedagogia do Oprimido: aquela que tem que ser forjada com ele (oprimido) e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação da sua humanidade. Pedagogia que faça da opressão e de suas causas objeto da reflexão dos oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por sua libertação, em que esta pedagogia se fará e refará.”3
“A realidade social, objetiva, que não existe por acaso, mas como produto da ação dos homens, também não se transforma por acaso. Se os homens são os produtores desta realidade e se esta, na “inversão da práxis”, se volta sobre eles e os condiciona, transformar a realidade opressora é tarefa histórica, é tarefa dos homens.”4
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A busca pela célula não-pleonástica
“Assim foi que, para transmitir uma linguagem de sentimentos e idéias, através da sua plástica corporal, renunciando ao gesto pleonástico (aquele, precisamente, em que representava e – acompanhava, repetindo – palavras ou fragmentos de frases o ator teve, nos últimos cinqüenta anos, de rever, profundamente, os seus processos de exteriorização, numa linha que vem de Stanislavski e Meyerhold a Bertolt Brecht.” (RedondoJúnior)5
Uma das definições para a palavra dialética seria o embate de idéias numa mesma célula. O exemplo da moeda é pertinente: duas idéias/informações contidas numa mesma matéria.
Penso que o gesto não-pleonástico seja uma possível aplicação dialética para o teatro: duas idéias, uma que esta sendo dita e outra diferente que está sendo feita através de gestos/figurino/etc., numa mesma matéria.
Para a sensibilização deste conceito foram escolhidas duas canções populares do imaginário infantil.
Primeira canção: “Cabeça, ombro, joelho e pé” em que a letra é acompanhada de gestos que copiam o que está sendo dito. Então quando a letra da canção diz cabeça, os braços são levados à cabeça e assim com cada parte do corpo que vai sendo dita. Esta canção nos representou o que seria um gesto pleonástico.
Segunda canção: “Aratatá”. Esta canção tem uma letra abstrata, quase que uma língua inventada. Os gestos que dançam a canção também são abstratos e não se parecem com o que está sendo dito. Em comparação à primeira canção é fácil perceber que os gestos na primeira canção repetem o que está sendo dito enquanto que nesta canção não acontece o mesmo. Por isso consideramos esta segunda canção como representação do gesto não-pleonástico.
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“Pensar e agir e sobre o agir de novo pensar; e agir novamente e assim caminhar.”(Brecht)
Alguns conceitos teatrais e da filosofia materialista dialética deveriam ser experienciados de forma teórica e prática. Seriam alguns destes conceitos: CONFLITO, CONTRADIÇÃO, AÇÃO, GESTO, OLHAR, LUTA DE CLASSES, IRONIA, TABLEAUX, CORPO, TRABALHO.
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Peça em 5 atos
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Sonho que se sonha junto ou o Ensaio dos Gostos (20.08.09 - Pontão de Cultura Guaicuru – Campo Grande/MS - coordenação da turma: Andréa)
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Gosto de dias de aniversário mas não gosto de dias de chuva. Gosto de repartir o pão e o sonho de padaria e gosto de pensar que sonho que se sonha junto é mais eficaz do que aqueles que se sonha sozinho.
Gosto de ver os corpos agindo solitários só que unidos. Corpos desafiados pela bexiga vermelha, sendo sólidos mas a desmanchar-se no ar.
Gosto daqueles que falam mas não gosto daqueles que monologam. Gosto de falar ao pé do ouvido e de receber toque amigo.
Gosto de um dramaturgo inglês muito do arretado, o Shakespeare, que em tempos antigos ainda pode falar dos tempos atuais. Ou seria o contrário, para falarmos dos tempos atuais usamos como exemplo os tempos antigos? Ou será que Brecht (outro dramaturgo, mas alemão) estaria certo em dizer que algumas injustiças permanecem no tempo e que temos que combatê-las ao mostrá-las? Ser ou não ser, eis a questão.
Gostei demais dessa turma que abraça e que se entrega e que volta para ver o “Sabe o que que é?” da Cia. Navalha na Liga, Nada na Barriga.
Essa turma conversa, indaga e ensina: é dialogando que se aprende.
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Lua Harmônica Vermelha (22.08.09 – Associação Amigos da Brazil Bonito – Bonito/MS - coordenação da turma: Pilar)
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Ronald lê:
Você é filho das estrelas, é semente de estrelas. Quem é você ? Por que você veio para cá ? Qual é a sua tarefa ? Olhe a seu redor. Preste atenção ao que atrai você e ao que você repele fortemente; contemple sua inerente força e talento. Recorde seus devaneios infantis, suas cores favoritas, seus heróis e heroínas. Recordar lhe dá acesso a sua própria presença expandida, a sua própria essência. Recordar é reconhecer sua conexão a um esquema maior da divindade.6
Conhecer Bonito e suas pessoas foi entender que ser humano sente e pensa ao mesmo tempo e que sentir pressupõe ver além dos olhos. E que ver além das cachoeiras e das águas límpidas significa senti-las mesmo em dias de chuva e mais, que dias de chuva aproximam uns dos outros.
Além disso, conheci um Bonito de anos de Festival de Inverno e de trabalho sério da Andréa e dos seus. Isso modifica as pessoas, era uma turma de teatro trabalhada e de energia bonissíssima. Além disso, com um belo Pilar, portadora da ponta da estrela/teia/labirinto que construímos: grupo se forma através da ação individual.
Cantamos juntos, choramos juntos, lanchamos juntos, encenamos juntos, filosofamos juntos durante seis horas de um sábado chuvoso, construindo os pingos da enxurrada revolucionária, pondo pingos nos “is” do que se quer transformar e dando nó em pingo d’água nos conflitos do mundo.
Muitos nascidos sob as influências deste sol interessam-se pelas profecias que irão mudar a nossa Terra, e preparam-se para alguma situação que sentem que podem acontecer em virtude destas mudanças.7
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Poema de palavras soltas para quando o sentir tem gosto de raiz forte (27.08.08 – Ponto de Cultura Todas as Idades – Missão Kaiowá – Dourados/MS - coordenação da turma: Fabrício)
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Tapioca
Mandioca
Sol e lua
Se encontram
Boa tarde
Boa tarde
Uma roda
Se enforcam
Não
Não
Sim
Sim
Conflito individual
Só
Conflito mundial
Nó
E demarca, demarca
Quem vai pagar
Os prejuízos de 500 anos dos que já estavam aqui?
Revista, batom, calça jeans
O que vieram fazer aqui?
Como imaginavam que a gente era?
Terra vermelha
Unha vermelha
Gloss
Revista então entra em cena
Mundo entra em cena
Mafalda entra em cena
Árvore de copa grande entra em cena
Encenar para cuidar
Encenar para mudar
Encenar para perguntar:
Quando a Justiça vai ser feita?
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Por uma pedagogia comunista, para um teatro revolucionário (29.08.09 – Assentamento 17 de Abril – Nova Andradina/MS -coordenação da turma: Demir)
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Certa vez, conheci um texto do filósofo alemão Walter Benjamin chamado “Sobre uma pedagogia comunista”.
Neste texto, ele faz algumas sugestões para o plano pedagógico da União Soviética da década de 30 do século passado.
Ele sugere que a prática teatral seja adotada na educação de crianças e pré-adolescentes de forma intensa. Mais do que grandes encenações, a prática teatral em grupo prepararia o indivíduo para o espírito coletivo, para a ação coletiva revolucionária.
Me parece que isto acontece no Assentamento 17 de abril, tanto pelo trabalho teatral desenvolvido no CEPATEC pelo Ademir, Alessandra e Júlio, quanto pela influência do pensamento político-estético do Movimento Sem Terra, com suas peças teatrais e suas Místicas.
Pensamos e agimos juntos, durante as cinco horas de duração de encontro, sobre CONFLITO, MUNDO, CONTRADIÇÃO, IRONIA, LUTA DE CLASSES, tudo de forma muito divertida como nos sugere outro alemão, o Bertolt Brecht.
Eu aprendi, aprendi muito. Aprendi a mediar conflito e ganhar sorriso, aprendi que diferentes faixas etárias convivem muito bem obrigada, aprendi que o pôr-do-sol fora da cidade é mais bonito, aprendi que através da luta se desbanca a injustiça e que a justiça devia ser uma instância de responsabilidade dos olhos e não dos papéis, aprendi a sonhar com os dois pés plantados, desaprendi o caminho de ficar em cima do muro e aprendi que lutar pela humanidade dos homens é a grande tarefa.
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"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda" -Cecília Meireles (02.09.09 - Ponto de Cultura Mukando Kandongo – Campo Grande/MS – coordenação da turma: Aline)
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Ao chegar em Campo Grande ganhei um presente: assistir a leitura dramática do texto “Arena conta Zumbi” feita pela turma de teatro do referido Ponto.
Ao final da leitura ganhei outro presente: data marcada para um encontro com essa turma.
Eles, com a leitura dramática, me ajudaram a refletir sobre o TRABALHO ESCRAVO e eu, com a oficina de teatro peripatético, convidei-os a refletir sobre o TRABALHO ASSALARIADO.
Será que a mudança de um Brasil escravo para um Brasil assalariado trouxe a tão sonhada LIBERDADE para os trabalhadores?
Essa reflexão eu entreguei para a turma desenvolver ou não nos seus próximos encontros porque antes de chegar a esta questão, vivenciamos no corpo um conceito muito importante para a filosofia dialética: a MEDIAÇÃO. Para experimentá-la massageamos o corpo do outro com objeto, brincamos de telefone sem fio de frases e caretas, vivenciamos o Estrangeiro e o Intérprete buscando aratatás e demos um salto dentro da história da filosofia: Marx ao querer colocar a filosofia dialética de Hegel sob seus “verdadeiros” pés, cria a filosofia materialista dialética e propaga: A MEDIAÇÃO UNIVERSAL ENTRE OS HOMENS É O TRABALHO. Para vivenciar este conceito, executamos com o corpo uma série de ações de trabalho e assistimos ao filme “Ilha da Flores” de Jorge Furtado para chegar ao trabalho assalariado (o que faz o porco ter prioridade na escolha de alimentos do lixo em relação aos moradores da Ilha das Flores é o fato dessas pessoas não terem dinheiro e nem dono).
Para Marx, o trabalho é a instância mais importante da humanidade na medida que é ele que sustenta os corpos e que transforma o mundo. Se o tipo de trabalho que os homens realizam é massacrante e alienado, suas vidas também o serão.
Por isso caros ebonis, é preciso transformar o trabalho para sermos livres. O encontro teatral que vocês realizam semanalmente é, na minha opinião, uma grande forma de vivenciar esta transformação.
Que ela então se realize para a LIBERDADE abrir as asas sobre todos nós.
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Inconclusão
Obtive durante este caminhar sul-matogrossense muitas respostas e o dobro de perguntas.
Muito se discute e se escreve sobre o que seria a Identidade Brasileira. O que liga o Oiapoque ao Chuí culturalmente? Apenas a língua? Talvez o gentilismo e a alegria?
Certa vez ouvi dizer que a única coisa que há em comum entre as variadas regiões brasileiras seria a desigualdade social, seria o fato de existir muita gente muito pobre e pouca gente muito rica.
A partir deste dado (que muitas pesquisas mundiais confirmam) é que pude perceber empiricamente que o que liga, por semelhança, São Paulo e Mato Grosso do Sul é a LUTA DE CLASSES.
LUTA aqui entendida não apenas como embate físico entre as diferentes classes sociais pelos seus objetivos de emancipação (no caso do muito povo) ou supremacia (no caso da pequena elite), mas também entendida como procedimentos ideológicos para manter a classe dominante no poder com a atual divisão injusta entre os bens do mundo.
Por este motivo, pude perceber atitudes semelhantes entre os participantes da oficina da Missão Kaiowá e os participantes da oficina que eu ministrava no Grajaú, bairro periférico de São Paulo. A cultura indígena é muito diferente da paulistana, no entanto a classe social e jeito de morar dessas duas turmas os aproxima, ainda que, por exemplo, sinto que as turmas de São Paulo tem mais intricada no corpo a questão da violência.
Outra “resposta-questão” que obtive, foi em contato com o Assentamento do MST. Como aquela turma de participantes já tem contato com conceitos do marxismo e do teatro praticamente desde crianças, parece que o método que desenvolvi é “muito iniciante” para eles. Criei este método junto a turmas de participantes mergulhados no individualismo e da não vivência e contato com filosofia e teatro. Para esta turma o método deveria avançar, pensando, através da estética, questões ligadas às necessidades atuais do Assentamento.
No mais, continuarei seguindo, refletindo e agindo sobre o que vivi nestas turmas que ministrei oficina. Por isso, meu muitíssimo obrigada a todos os envolvidos que tão generosamente abriram seus corações para a troca.
Peripatéticos, avante!
1 KOUDELA, Ingrid Dormien. Brecht na pós-modernidade. São Paulo: perspectiva, 2001, p. 86-93
2 CORREIA, Adriano e NASCIMENTO, Mariângela. Arendt: entre o passado e o futuro. Minas Geraes: Ed. da UFJF
3 FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977, p.32.
4 Idem, p.39.
5 In APPIA, Adolphe. A obra de arte viva. Lisboa: Editora Arcádia, s/d, p.92.
6 Informações extraídas do site http://www.calendariomaia.hpg.ig.com.br/ para signo do calendário maia: Lua Harmônica Vermelha, referente à minha data de nascimento.
7 Idem, ibidem
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